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septembre 2008

DANÇA DA PAIXÃO

 

DANÇA DA PAIXÃO


Teus olhos lânguidos dizem-me: - Bom dia!
Como uma gata espreguiço-me manhosa...
No quarto vestígios da paixão consumida...

Lençóis em desalinho da noite amorosa...
 Suores e fragrâncias misturados no ar...
Entre pernas e braços o fogo e ardência...

Sincronismo de movimentos num só arfar...
Jubilo de corpo e alma em transcendência
No teu olhar, vejo luz, quietude e magia...

Numa simetria úmida o desejo pronuncia...
Num fogo que devasta o prazer eminente
Nos beijos tórridos atrevidos e linguais...

Amassos gemidos meus sussurros e ais...
 Teu toque descompassa o meu coração.
Batimentos cardíacos aceleram novamente...

Na volúpia de corpos em brasa incandescente
Entregamo-nos alucinados e com sofreguidão.
Tesos e vibrantes começamos a dança da paixão.


Lu Lena

  

septembre 2008

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO...(Dueto)

 

 

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO...


Descalça caminho no campo verdejante
Enquanto cantam aves e os rouxinóis
Nua coberta com um véu esvoaçante
  Acenando pra mim sorriem os girassóis.

Em contraste com o azul anil e o branco
Esfuziante solto pipa colorida ao léu...
Na relva o frescor dos lírios do campo
Contemplo a beleza na imensidão do céu.

Esbaforida brinco com a cabeleira do mato
Esse amor lírico que em ti eu almejo...
Alguns lírios enfeitam o córrego e o lago.

 No reflexo da água tua imagem eu beijo
Influxo de um delírio senta ao meu lado
Divago novamente entre o sonho e desejo.

Lu Lena

 

ANJO IMPLUME

É sempre assim, basta-me dirigir teu lume
Através de tua arte deslumbrada em poesia
E pode ser sob a luz do sol ou negrume
D’outra noite eu sempre sinto o que me extasia

Através do ar impregnado com teu perfume,
Que me incita e rejuvenesce com a magia,
Que me aviva e faz com que algo em mim se avolume
E nos satisfaça em êxtases de delícia.

E começam em tua boca como de costume
E percorrem os teus seios fonte de volúpias
De desejos e também da vida incólume

Do ser fruto desse amor que em ti principia
A sobrevivência como fosse anjo implume
E expõe a forma de como a vida se inicia.

Dirceu Marcelino

http://www.youtube.com/watch?v=uHoyLQ7az80  

septembre 2008

DELÍRIO POÉTICO

 

    

 

DELÍRIO  POÉTICO    

 

Vem meu poeta teus versos recitar
em meu corpo faça tua folha de papel
teus dedos desenhe nele tua poesia
com as cores do arco íris no céu...


e no contorno de minh’alma derrame
teu néctar e o teu mel...
seja o meu beija-flor, bicando meus
vãos sem pressa e sem pudor...


Vem meu poeta deixe tua inspiração
deslizar em meu vente, e que nele
germine soneto lírico florescendo
desejos incontroláveis e aflitos


gemidos abafados, sussurros e gritos
Vem meu poeta não siga métricas e
nem rimas nesse elo de contentamento
deixe esse calor febril que em brasa


minha'alma a tua enleia em pensamento
Vem meu poeta siga teu instinto nesses
versos insanos, sem nexo e sem lógica
nessa insanidade efêmera e caótica...


percas-te nesse teu silêncio de lascívia
nessa lassidão de espasmos de prazer...
Vem meu poeta sou teu êxtase, tua sina
onde sou a tua musa em reticências...


maturidade num mix de inocência...
nessa névoa esfuziante perdi-me
somente deuses e poetas conseguem
sentimentos d’alma decifrar...


uma brisa passou e meu rosto veio
acarinhar...
levando até a ti nesse instante o meu
poetar...


nesse delírio poético que se dispersa no ar...

Lu Lena 

http://br.youtube.com/watch?v=Pc5577QYOVM 

 

septembre 2008

UM GRITO NA ESCURIDÃO

 

 

UM GRITO

NA ESCURIDÃO


Abafado e ganido...
Minhas lágrimas doridas
Trancafiadas na garganta
Secas espremidas num
Coração corroído...
Sem forças e aflita
Rastejo-me...
Na lama fétida e fria
Meu corpo enfraquecido
Lentamente sinto...
As pálpebras que fecham
Pergunto a mim mesma,
Morri será?
Ou apenas mais um pesadelo
Interminável, na tentativa
Estúpida e inócua que irei
Encontrar-te nessa vida?
Estou cansada, novamente
Entrego-me a mercê dos seres
Que zombam de minha dor...
Impossível nesse lamaçal
Encontrar você meu amor...
Olho para meu corpo e não
O reconheço...
Dou voltas num poço fétido
Imenso...
Sim, a luz eu vejo o clarão
Teu rosto disforme vejo
Na imensidão...
Nesse devaneio por alguns
Instantes seguro tua mão...
Imploro-te!
Tire-me desse vão...
Que você me colocou sem
Dó e perdão...
Mate-me de vez
Então...
Para que meu grito
Ecoe na escuridão...

Lu Lena

 

septembre 2008

Dueto (ENIGMA -MEA CULPA)

 
PEDAÇOS DE MIM
 
Flutuando pelo vento
deixo fagulhas...
de meus fragmentos
Em cada estrela
busco um pedaço...
De cada pedaço
que não acho...
Tento me fazer inteira
Enquanto minha alma
brinca na lua cheia...
Ando sob destroços
tento juntar sentimentos
nossos...
Sinto-me culpada
de ti...
porque essa paixão
meu corpo e alma
viestes consumir...
sem resistência
subjuguei-me e não
resisti...
Desfragmentei-me
em estilhaços de
fogaréu...
espalhados pelo céu
agora nem tem como
recuar...
Esse enigma temos
que decifrar...
Minha busca não
faz sentido...
Pois todos os pedaços
de mim...
estão aí contigo...
 
Lu Lena
 
ENIGMA – MEA CULPA
 
Queria te conhecer e agora como faço
Para escapar do fascínio do olhar lançado
Por ti como um lume poético no espaço
Onde vagueio com o coração despedaçado
 
Ao sabor dos ventos em mais de mil pedaços,
Mas como estivessem todos acorrentados
Com o fino cordão formado por fios de aço
De seus cabelos brilhantes e acastanhados,
 
Que esvoaçam como plumas em um chumaço,
Leve e forte que atam de modo inusitado
Cada um dos pedaços como se em um enlaço,
 
Fosse capaz de ajuntá-los todos dominados
Sob sua posse sedutora que num abraço
Afaga-lhes, porém os mantém subjugados.
 
Dirceu Marcelino
 

SINA

 

SINA

Presas e atadas em ti minhas mãos
Algoz de outrora num lacre em mim
De costas e vendados na escuridão
Ruminando nesse labirinto sem fim.

Por mais que eu tente me libertar
Sangram os pulsos e corpo desse nó
Morte irreversível sufoca-me o ar
Vultos disformes perambulam no pó.

Amordaçados e moribundos sem voz
Num grito seco abafado emudecido
Ecoando na masmorra fétida e atroz.

Decompõe-se meu corpo esvaecido
Regozijo-me fulgurosa na luz veloz
Acordo! Vejo-te novamente comigo!

Lu Lena 

 

septembre 2008

SAUDADE MÓRBIDA

 

 

 

SAUDADE MÓRBIDA 

 

Aprecio a paisagem translúcida no espaço
Ouço o bater de sinos na capela distante
Vento varre a cabeleira dos verdes matos
No céu, vejo cortejo d'espíritos viajantes.  

Balanços das folhas, vultos acenam pra mim
Dogmas infundados entre a vida e a morte
Sopram ao meu ouvido, que isso não tem fim
Círculo vicioso e simbiótico lançado a sorte.  

Prolixa e moribunda divago sem entender
Na oculta inflorescência a busca do amor
Lágrimas gotejantes, doridas de um sofrer.  

Na lápide, vejo um poço árido que secou
Nas flores silvestres, o toque de teu ser
Saudade mórbida foi apenas o que restou.  

Lu Lena  

 (homenagem a minha mãe In memorium)