Busquei por um oásis dentro do deserto na secura de minh'alma a sede do amor buscava-te na obscuridade do céu aberto pegadas na areia tórrida sangravam de dor
caminhei... nessa vida malfadada e cruel atrás de tua imagem eu perambulava Açoites do vento assoviando no breu minha busca em ti que se fragmentava...
vi holocaustos, alucinações nesse martírio dentro de mim sonhos perdidos na escuridão dormência... paz... acalento... e o abrigo...
pálpebras fecham-se cansadas nesse desvario teu nome, num sopro eu desenho na imensidão nessa miragem, meu corpo no tremor de tua mão.
Lu Lena
OÁSIS DE AMOR
Não sei por que tremem as minhas mãos? São elas conchas d’água que levo à amiga, Num lapso do tempo de escuridão Em que encosta-se ao meu ombro e se abriga
Desse vento que vem da imensidão Infinita e ora com areia fustiga Teu corpo e provoca alucinação E assim não sabes se o que imagina
É real ou apenas sonho de paixão, Eis que neste momento de fadiga Afloram-lhe à mente a recordação,
Dum passado remoto que religa O âmago de tua alma ao coração E então vês a miragem que te intriga.
No vazio inglório e inerte, ouço tua voz! Choro compulsivo em lágrimas secas no leito, Sufoca-me o ar, nessa demência insone e atroz. Onde estás? Arranca de mim o que resta em meu peito.
Sem meu corpo efêmero, minh'alma envolta no véu, Aflição, angústia em ti nessa busca intensa. Murmúrios deletérios na negritude do céu. Sombras que sopram ao vento a saudade imensa.
Teu silêncio gélido desgraça meus dias e noites. Livre do corpo moribunda... Busco-te, meu amor! Sigo nessa espera intrépida, de abismos e açoites.
Submersa nesse sono letárgico, fico a tua mercê. Oh! Por que não ouves em meu sonho, o meu clamor? Estarei eu, morta ou viva? Responda-me, por favor!
Lu Lena
CLAMOR DE OUTONO
Vejo apenas alguns fragmentos no retrós Dos fios que interligam a minha e tua vida. Ouço o grito insone e saudoso de tua voz Que desperta - me deste sono para a lida
Sob o zunido desse vento intenso e veloz, Que me traz lembranças e imagens já vividas Que revejo em rápido flash de muitos nós Da nave que singra o mar de tua alma sentida
Trazendo do céu para a terra e a todos nós A chuva de prata outrora prometida Cuja luz iluminará as sombras do albatroz
E afastará a ave de rapina que abatida Fugirá ou cairá aos pés da águia e do condor feroz Que se postam lado a lado de forma intrépida.
Perdidos no tempo ficaram todos os sentimentos e emoções como pétalas secas de uma flor em lembranças, frustrações, rancores, tristezas, alegria e dor...
em teu semblante vago e distante, me vias tecendo a nossa colcha de retalhos cerzindo pedaços de nosso amor e da varanda observavas um mundo de um vazio sem cor
e agora, envelhecida olho pra caixa de costura empoeirada lembrando do último suspiro que emudeceu tua voz... sem agulhas, linhas e alfinetes no vão oco de minha memória ali jaz sómente um quebrado retrós
única recordação da vida e morte que foi costurada por nós... Sinto agora a brisa suave que vem minhas lágrimas secar dessa saudade indolente, sinto tua essência que deixa o teu perfume disperso no ar...
Lu Lena
Paira perfume indelével no ar Com a flagrância suave de jasmim Fazendo-me com saudade recordar De quando meiga olhavas para mim.
Enquanto continuavas a costurar Uma colcha de retalhos de cetim E dizia-me com seu modo de ostentar Que aquela manta era para mim
E que eu deveria sempre relembrar Dela entre as flores do belo jardim E nunca deveria olvidar e chorar
Por ter o carretel chegado ao fim Eis que sempre ela estaria ali a costurar E então eu saberia por que a vida é assim.
Contemplo no céu a lua cheia que brinca esbaforida com vaga lumes e estrelas... refletindo essa algazarra nas ondas mornas do mar então vejo minha'alma que levita no ar... e nesse murmurinho deixo pegadas por esse caminho Vejo inebriada o horizonte e hipnotizada ouço o canto da sereia... enquanto isso um molusco apaga o teu nome desenhado na areia... a brisa passa e leva outra vez de mim... lágrimas que escorrem sem fim... uma garoa suave cai e sinto frio! molhando meu corpo e meu pensamento vazio...
Despida das vestes carnais na escuridão estava eu tateando ao léu, ouvia apenas as batidas de meu coração... naquele quarto um corpo que me prendia em prata um cordão... vultos eu via... balanço de folhas secas se mexia... ouvi uma voz! era um anjo com suas asas na mão... vindo em minha direção ele me disse: - Leve-as! eu perguntei: - Por quê? Ele respondeu: - irá precisar... segui sem rumo sem direção foi ai que avistei aquela ponte sem chão... Pensei: - recuar ou avançar! foi ai que do anjo lembrei e suas asas em mim acoplei onde estou? não sei... dei asas ao meu sonho e voei...
Pensamentos, recordações oscilam num destino desfiado de renúncias grilhões que me prendem num exílio enleada em ti a tua e a minha vida.
Indeléveis cicatrizes em minha memória em carretéis e linhas opacas e sem cor na caixa de costura toda nossa história alfinetes agulhas ludibriando nosso amor.
Cerzindo versos, exalando nossa essência assim vou tecendo estática nossos pedaços entre gotículas de lágrimas em reticências...
Vozes, murmúrios, sem viços e transparências bordando prolixa nossa colcha de retalhos... Aguardando o tempo esvair nossa existência.
Lu Lena
Ainda em minha tenra e singela adolescência Sonhava com ti e minha vontade era tecer Com os parcos fragmentos de minha inocência A colcha que te cobriria em teu adormecer
Hoje recordo com fragmentos de consciência Dos belos sonhos e então deixo me esvanecer Em devaneios poéticos que com insistência Injetas-me com teu lume e em mim faz nascer
A inspiração que surge da tua proficiência Em belos versos que estimulam meu alvorecer Fazendo com que encontre nas regras da ciência
Poética esta arte que me faz rejuvenescer E encontre nos retalhos de minha inconsciência Os pedaços da colcha que tu estas a cerzir.
Que me enclausurei a ti em um reduto levitei num orbe insondável de agruras enfraquecida chorei num canto escuro súdita andei sem mapas e sem bússolas
por onde andei vi penhascos sombrios ao meu lado tua sombra a me corromper sugando o meu calor aquecendo o teu frio na solidão insurgente vagueio sem te ver
Em minha memória resíduos de outrora renegando meus dias, sinto-me reclusa ocultas meus medos e aflições de agora enleada numa névoa jaz um'alma confusa
Acordo! vejo um céu em preto e branco recordações em resíduos de outra vida olhos marejados num coração em prantos lágrimas de agora, confesso: - Imerecidas!
Ao tocar no ponto fraco, o espadachim A arte de amar só para quem sabe Despertar o amor é ser querubim Sentir alvoroço realizar desejos carne
O instinto age assim e anseia amor Correspondido! Ser amado como quem ama Um belo dia foi uma vez conheceu flor Alimentou o corpo e é constante a chama
Adentro-me pelo jardim e os sons soam-me Como a reprimidos risinhos de ninfas em becos Sem saída. Vou em frente volto à direita
Depois à esquerda e ouço o som da fonte ao lado Nada melhor que águas cristalinas e árvores de porte Sem cajado, nem pau lá vem meu Espadachim
Joaninhavoa, (helenafarias)
TE ESPERO ESPADACHIM
Amórfica... num quanto qualquer... vejo epitélios infectos de seres mortais...
Podridão, vermes no chão espremidas em lágrimas de dor... corroídos sem viço num coração que goteja rastilhos do amor...
Na imagem mórbida que ficou vejo amargura em teu semblante sina lírica, diabólica e mortal seguimos entre o bem e o mal...
No brilho da arma reluzente vejo um olhar trepido e ausente. em outras vidas foi meu algoz corpo e alma o que será de nós?
Vácuo inexistente... efêmero e persistente... último suspiro fecha os meus olhos e beijas minh'alma...
Sopras ao vento cinzas de ti e de mim... grifada em tua espada fica essa frase:
Voltarei...
Amo-te, meu espadachim...
(Lu Lena)
ESPADACHIM PROTETOR
Gostaria como teu cavalheiro protetor Desembainhar meu cetro de espadachim E descrever versos em teu corpo com ardor, Em formato de soneto como faço assim:
Em doze estocadas silábicas com fervor, Marco o ritmo inicial que seguirei até o fim. Após sempre em forma suave, mas com destemor Fecho os quartetos com você abraçada em mim.
Prossigo com o florete e em toque sedutor Marco a tua pele com o aroma do jasmim Que lanço em ti com as pétalas dessa flor
Viçosa e cheirosa que engalana meu jardim E de onde tiro meu poder e todo o amor, Que me permite possuí-la assim como Espadachim.