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octobre 2008

MIRAGEM DE AMOR (Dueto)

MIRAGEM DE AMOR

 

Busquei por um oásis dentro do deserto
 na secura de minh'alma a sede do amor
buscava-te na obscuridade do céu aberto
pegadas na areia tórrida sangravam de dor

caminhei... nessa vida malfadada e cruel
atrás de tua imagem eu perambulava
Açoites do vento assoviando no breu
minha busca em ti que se fragmentava...

vi holocaustos, alucinações nesse martírio
dentro de mim sonhos perdidos na escuridão
dormência... paz... acalento... e o abrigo...

pálpebras fecham-se cansadas nesse desvario
 teu nome, num sopro eu desenho na imensidão
nessa miragem, meu corpo no tremor de tua mão.

Lu Lena 

 

OÁSIS DE AMOR

Não sei por que tremem as minhas mãos?
São elas conchas d’água que levo à amiga,
Num lapso do tempo de escuridão
Em que encosta-se ao meu ombro e se abriga

Desse vento que vem da imensidão
Infinita e ora com areia fustiga
Teu corpo e provoca alucinação
E assim não sabes se o que imagina

É real ou apenas sonho de paixão,
Eis que neste momento de fadiga
Afloram-lhe à mente a recordação,

Dum passado remoto que religa
O âmago de tua alma ao coração
E então vês a miragem que te intriga.

Dirceu Marcelino

http://br.youtube.com/watch?v=KMwCNzfTZng 

octobre 2008

Dueto (CLAMOR DO SILÊNCIO)

 

 

CLAMOR DO SILÊNCIO


No vazio inglório e inerte, ouço tua voz!
Choro compulsivo em lágrimas secas no leito,
Sufoca-me o ar, nessa demência insone e atroz.
Onde estás? Arranca de mim o que resta em meu peito.

Sem meu corpo efêmero, minh'alma envolta no véu,
Aflição, angústia em ti nessa busca intensa.
Murmúrios deletérios na negritude do céu.
 Sombras que sopram ao vento a saudade imensa.

Teu silêncio gélido desgraça meus dias e noites.
Livre do corpo moribunda... Busco-te, meu amor!
Sigo nessa espera intrépida, de abismos e açoites.

Submersa nesse sono letárgico, fico a tua mercê.
 Oh! Por que não ouves em meu sonho, o meu clamor?
Estarei eu, morta ou viva? Responda-me, por favor!


Lu Lena

 

CLAMOR DE OUTONO

 

Vejo apenas alguns fragmentos no retrós
Dos fios que interligam a minha e tua vida.
Ouço o grito insone e saudoso de tua voz
Que desperta - me deste sono para a lida

Sob o zunido desse vento intenso e veloz,
Que me traz lembranças e imagens já vividas
Que revejo em rápido flash de muitos nós
Da nave que singra o mar de tua alma sentida

Trazendo do céu para a terra e a todos nós
A chuva de prata outrora prometida
Cuja luz iluminará as sombras do albatroz

E afastará a ave de rapina que abatida
Fugirá ou cairá aos pés da águia e do condor feroz
Que se postam lado a lado de forma intrépida.

 

Dirceu Marcelino

http://br.youtube.com/watch?v=pWqlWTXwNPI 

 

octobre 2008

dueto (COLCHA DE RETALHOS II)

 

 

COLCHA DE RETALHOS II


Perdidos no tempo ficaram
todos os sentimentos e emoções
como pétalas secas de uma flor
em lembranças, frustrações,
rancores, tristezas, alegria
e dor...


em teu semblante vago e
distante, me vias tecendo
 a nossa colcha de retalhos
 cerzindo pedaços de nosso amor
e da varanda observavas um
mundo de um vazio sem cor


e agora, envelhecida olho
pra caixa de costura empoeirada
lembrando do último suspiro
que emudeceu tua voz...
sem agulhas, linhas e alfinetes
 no vão oco de minha memória
ali jaz sómente um quebrado retrós


única recordação da vida e morte
que foi costurada por nós...
Sinto agora a brisa suave que
vem minhas lágrimas secar
dessa saudade indolente,
sinto tua essência que deixa
o teu perfume disperso no ar...

Lu Lena

 

 

Paira perfume indelével no ar                                                  
Com a flagrância suave de jasmim                             
Fazendo-me com saudade recordar                           
De quando meiga olhavas para mim.                        

Enquanto continuavas a costurar                              
Uma colcha de retalhos de cetim                              
E dizia-me com seu modo de ostentar                     
Que aquela manta era para mim                               

E que eu deveria sempre relembrar                         
Dela entre as flores do belo jardim                           
E nunca deveria olvidar e chorar                               

Por ter o carretel chegado ao fim                              
Eis que sempre ela estaria ali a costurar                  
E então eu saberia por que a vida é assim.

Dirceu Marcelino

http://br.youtube.com/watch?v=Fa4OOWB3JBM

octobre 2008

PENSAMENTO VAZIO

 

 

PENSAMENTO VAZIO

Contemplo no céu
a lua cheia que brinca
esbaforida com vaga lumes
e estrelas...
refletindo essa algazarra
nas ondas mornas do mar
então vejo minha'alma que
levita no ar...
e nesse murmurinho
deixo pegadas por esse caminho
Vejo inebriada o horizonte
e hipnotizada ouço o canto da
 sereia...
enquanto isso um molusco
apaga o teu nome desenhado
na areia...
a brisa passa e leva outra vez
de mim...
lágrimas que escorrem sem fim...
uma garoa suave cai e sinto frio!
molhando meu corpo e meu
pensamento vazio...

Lu Lena

DÊ ASAS AO SEU SONHO...

 

DÊ ASAS AO SEU SONHO...

Despida das vestes
carnais na escuridão
estava eu tateando
ao léu, ouvia apenas
as batidas de meu
coração...
naquele quarto um
corpo que me prendia
em prata um cordão...
vultos eu via...
balanço de folhas
secas se mexia...
ouvi uma voz!
era um anjo com
suas asas na mão...
vindo em minha direção
ele me disse:
- Leve-as!
eu perguntei:
- Por quê?
Ele respondeu:
- irá precisar...
segui sem rumo sem direção
foi ai que avistei aquela
ponte sem chão...
Pensei:
- recuar ou avançar!
foi ai que do anjo lembrei
e suas asas em mim acoplei
onde estou?
não sei...
dei asas ao meu sonho e
voei...

Lu Lena

octobre 2008

CARTA DE AMOR...

 

 

 

CARTA DE AMOR...

 

Tentei, mas não consegui
fugir de ti...
Por quê? esconder-me
dessa insensatez...


és a minha nostalgia e euforia
ou apenas mais uma poesia?
volúpia, pecado ou talvez?
ou mais uma divagação?


perco-me nessa alucinação
és o meu suor, o meu calor
a carne do meu prazer
tudo que quero, tudo


que não tenho, mas sonho nos
teus braços morrer e renascer
ressurjo das cinzas!
Impetuosa e majestosa


és o meu mistério no ar
um enigma que não consigo
decifrar...
és aquele que em meus devaneios


enlouquece-me, nesse gozo que
desnorteia-me e me entorpece
sou tua loba felina, feiticeira
fada, ou menina?


nesse martírio que me alucina
és o meu teu tudo e o meu nada
que em ardências me desvanece
inebria-me e aos poucos me mata


és o meu pecado e minha luxúria
qualquer coisa que quiser
serei sempre aquela que te ama
pois sou e serei sempre a tua
mulher...


nesses versos com e sem rimas
absurdos ardentes de loucura...
em manuscritos soltos...
levados ao vento a tua procura


queimas-me com teus desejos
entontece-me com teus beijos
nas madrugadas embriaga-me
em teus absintos...


és o meu destino em labirintos
és minha inspiração nessas palavras
escritas em papel de pergaminho
nesse traçado longínquo te busco
no meu caminho...


Diga-me?
o que queres que eu faça?
Não quero como resposta
uma carta de euforria,
pois és a paixão que tanto me fascina,


sou e serei sempre tua escrava, tua sina...
és o meu dono, meu homem e o
meu senhor...
pois perene sublime e lírico...


é o grande amor que por
ti eu sinto...

Lu Lena

 

octobre 2008

Dueto (COLCHA DE RETALHOS)

COLCHA DE RETALHOS


Pensamentos, recordações oscilam
num destino desfiado de renúncias
grilhões que me prendem num exílio
enleada em ti a tua e a minha vida.

Indeléveis cicatrizes em minha memória
em carretéis e linhas opacas e sem cor
na caixa de costura toda nossa história
alfinetes agulhas ludibriando nosso amor.

Cerzindo versos, exalando nossa essência
assim vou tecendo estática nossos pedaços
entre gotículas de lágrimas em reticências...

Vozes, murmúrios, sem viços e transparências
bordando prolixa nossa colcha de retalhos...
Aguardando o tempo esvair nossa existência.

Lu Lena

 

Ainda em minha tenra e singela adolescência
Sonhava com ti e minha vontade era tecer
Com os parcos fragmentos de minha inocência
A colcha que te cobriria em teu adormecer

Hoje recordo com fragmentos de consciência
Dos belos sonhos e então deixo me esvanecer
Em devaneios poéticos que com insistência
Injetas-me com teu lume e em mim faz nascer

A inspiração que surge da tua proficiência
Em belos versos que estimulam meu alvorecer
Fazendo com que encontre nas regras da ciência

Poética esta arte que me faz rejuvenescer
E encontre nos retalhos de minha inconsciência
Os pedaços da colcha que tu estas a cerzir.

Dirceu Marcelino 

http://br.youtube.com/watch?v=R-A8cZAMPUc 

octobre 2008

CONFESSO!

CONFESSO! 


Que me enclausurei a ti em um reduto
levitei num orbe insondável de agruras
enfraquecida chorei num canto escuro
súdita andei sem mapas e sem bússolas
  

 por onde andei vi penhascos sombrios
ao meu lado tua sombra a me corromper
sugando o meu calor aquecendo o teu frio
na solidão insurgente vagueio sem te ver
  

Em minha memória resíduos de outrora
renegando meus dias, sinto-me reclusa
ocultas meus medos e aflições de agora
enleada numa névoa jaz um'alma confusa
  

Acordo! vejo um céu em preto e branco
recordações em resíduos de outra vida
 olhos marejados num coração em prantos
lágrimas de agora, confesso: - Imerecidas!
  

Lu Lena

 

octobre 2008

Dueto (Musa Misteriosa)

 

 

DAMA DA NOITE!

Ela surge na penumbra embriagadora...
Num olhar em brasa o corpo anuncia...
Desliza esguia provocante e sedutora...

Na dança voluptuosa que te extasia...
Olhos lascivos te seguem hipnotizados...
No remexo das ancas atiçando tua libido...

Trejeitos e gestos eroticamente ousados...
Respingo de suor adere em seu espartilho...
No teu corpo a ardência inflama de desejo...

Nesse inebriante e lânguido espasmo...
Como uma provocação atira-te um beijo...
Sentes a umidade desse cósmico orgasmo...

Exuberante, felina, voraz fêmea e fogosa
Devasta teus sentidos num fogo intenso...
Dama da noite, ela é tua musa misteriosa! 

Lu Lena 

 

MUSA MISTERIOSA

Senhorita contigo eu compartilho
Tanto os bons e maus momentos da vida
Eu te procuro, te sigo e eu trilho
Os mesmos caminhos de tua lida.

Gosto de sentir e ver o teu brilho
Resplandecer em obras coloridas,
Pela tua emoção e como fã eu me afilio
Ao grande número que em sua torcida,

Conclama por tua alegria e atilho
Aos que te querem ver na entrada ou saída
Dos shows em que ficas só de espartilho

E tão linda com o olhar me convida
E me atrai e me atiça com o rastilho
Do lume de luz de tua alma nascida.

Dirceu Marcelino

http://br.youtube.com/watch?v=v0_EpsyKNVA

octobre 2008

ESPADACHIM (Trieto)

 

MEU QUERUBIM ENCANTADO!...

D`espadachim...

Ao tocar no ponto fraco, o espadachim
A arte de amar só para quem sabe
Despertar o amor é ser querubim
Sentir alvoroço realizar desejos carne

O instinto age assim e anseia amor
Correspondido! Ser amado como quem ama
Um belo dia foi uma vez conheceu flor
Alimentou o corpo e é constante a chama

Adentro-me pelo jardim e os sons soam-me
Como a reprimidos risinhos de ninfas em becos
Sem saída. Vou em frente volto à direita

Depois à esquerda e ouço o som da fonte ao lado
Nada melhor que águas cristalinas e árvores de porte
Sem cajado, nem pau lá vem meu Espadachim

Joaninhavoa,
(helenafarias)

TE ESPERO ESPADACHIM

Amórfica...
num quanto qualquer...
vejo epitélios infectos
de seres mortais...

Podridão, vermes no chão
espremidas em lágrimas de dor...
corroídos sem viço num coração
que goteja rastilhos do amor...

Na imagem mórbida que ficou
vejo amargura em teu semblante
sina lírica, diabólica e mortal
seguimos entre o bem e o mal...

No brilho da arma reluzente
vejo um olhar trepido e ausente.
em outras vidas foi meu algoz
corpo e alma o que será de nós?

Vácuo inexistente...
efêmero e persistente...
último suspiro fecha os meus
olhos e beijas minh'alma...

Sopras ao vento cinzas de ti
e de mim...
grifada em tua espada fica essa
frase:

Voltarei...

Amo-te, meu espadachim...


(Lu Lena)

 

 ESPADACHIM PROTETOR

Gostaria como teu cavalheiro protetor
Desembainhar meu cetro de espadachim
E descrever versos em teu corpo com ardor,
Em formato de soneto como faço assim:

Em doze estocadas silábicas com fervor,
Marco o ritmo inicial que seguirei até o fim.
Após sempre em forma suave, mas com destemor
Fecho os quartetos com você abraçada em mim.

Prossigo com o florete e em toque sedutor
Marco a tua pele com o aroma do jasmim
Que lanço em ti com as pétalas dessa flor

Viçosa e cheirosa que engalana meu jardim
E de onde tiro meu poder e todo o amor,
Que me permite possuí-la assim como Espadachim.

(Dirceu Marcelino)

http://br.youtube.com/watch?v=JfE5AF3pE0M 

octobre 2008

AMOR CONVULSIVO!

AMOR CONVULSIVO!

 

Estremeço ao pensar
em teus lábios molhados
 fazendo-me alçar vôos
libidinosos e safados


atinja meu corpo
e faça-me entrar
em convulsão em
suores transmutantes


na volúpia de mulher
amante ardendo de
paixão...
meu corpo queime!


alastre em minhas
 entranhas o fogo
desse desejo frêmito
e com tua boca contorne


com tua língua os meus
túmidos e arfantes seios
Venha!


 percorra com ela meus
contornos túmidos
e em vãos deslizes


em toques frementes e
 úmidos.
 Alucina-me!


em teus desvarios...
perco-me em ti
 em quenturas e frios
tu és a minha febre


em respingos de suores
frementes de um corpo
que arqueja e anseia
por teu toque pulsante


e febril...


em meu corpo teso
e nu...
faça-me atingir o
ápice em vertigens


desse prazer lírico
onde só consigo
saciar-me contigo...
Venha, e cure-me!


Desse amor convulsivo...

Lu Lena